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O Sérgio Henrique Pinto Silva tem 29 anos. Os seus pais, desde a meninice do Sérgio, passaram momentos complicados por causa das dificuldades que ele tinha em adaptar-se aos diferentes meios sociais fora da família, nomeadamente na escola.
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Desde muito cedo, a sua mãe, Maria Benedita Pinto Silva, começou a sofrer pelo facto de o Sérgio ir sendo objecto da incompreensão de alguns professores, alunos e funcionários nas escolas, de diagnósticos médicos díspares e contraditórios, de discriminações e marginalizações. Uns médicos disseram-lhe que o seu filho tinha mimo a mais, outros diagnosticaram-lhe uma deficiência motora, outros mandaram-no consultar o psiquiatra que, com a medicação, o reduzia a um vegetal.
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Afinal, qual era o problema do Sérgio? Só aos 29 anos é que descobriram que ele sofre de um problema de adaptação social conhecido por síndrome de Asperger.
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Os primeiros problemas do Sérgio começaram na África do Sul, onde passou os primeiros anos de vida. Começaram, mas não acabaram. Em Mirandela os problemas continuaram.
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A corrida aos médicos começou também na África do Sul e continuou em Portugal. Primeiro, os médicos de família; depois, especialistas disto, especialistas daquilo: psicólogos, neurologistas, psiquiatras, tudo o que criasse alguma esperança de resolver o problema, ou os problemas, que se traduziam nalguma agressividade no relacionamento com os outros e numa clara inadaptação a nova situações, sobretudo nos meios escolares.
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O psicólogo recomendou aos pais que pedissem à escola que aceitasse o Sérgio como ele era. O neurologista diagnosticou-lhe um problema ao nível da motricidade fina. O psiquiatra resolveu o assunto com remédios que quase o imobilizavam, até que a mãe resolveu retirar-lhos porque ele ficava sem acção.
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O próprio Sérgio descreve a forma como encarava os seus problemas: “na escola os colegas não brincavam comigo, chamavam-me nomes, batiam-me”.
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Mas o que mais magoou o Sérgio e a sua mãe foi a acusação injusta e infundada de que havia feito um furto. Ele não aceitou a acusação e a mãe teve de ir à escola exigir respeito pelo Sérgio e explicar que ele não fora o responsável pelo furto. Mais tarde, as alegações do Sérgio confirmaram-se, mas a mãe ficou sempre com a dor de a escola não ter pedido desculpas ao seu filho pela injustiça que lhe fizeram.
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De início, nem todos os professores e auxiliares tratavam o Sérgio com a compreensão que o seu caso merecia. Mas depois, o próprio reconhece que, nos intervalos, as auxiliares o chamavam para junto de si e o protegiam da troça dos outros. Sente-se grato por isso.
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O Sérgio concluiu o Curso Tecnológico de Administração.
Mesmo assim, não obstante todos estes problemas, o Sérgio foi estudando e conseguiu concluir o Curso Tecnológico de Administração (CTA), com que terminou o ensino secundário. Fez um estágio profissional de 3 meses na Escola Secundária onde tinha estudado, em Mirandela. Aí, segundo palavras do próprio, a adaptação não foi difícil porque já conhecia o pessoal.
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Depois desse estágio fez um outro mais prolongado, de 9 meses, no Hospital de Mirandela, após o que conseguiu sucessivos contratos a termo certo na Câmara Municipal local. Neste momento está desempregado.
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O Sérgio, segundo o testemunho de uma ex-colega na Câmara Municipal, é muito competente nas tarefas da sua especialidade, o que aliás é uma característica dos adolescentes e jovens que transportam consigo este sindroma. Por vezes, criam mesmo a ideia nos outros de que são sobredotados, porque têm algumas capacidades acima da média.
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