Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Uma doença que os pais desconhecem: Síndrome de Asperger.
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Testemunho da vida real
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O Sérgio Henrique Pinto Silva tem 29 anos. Os seus pais, desde a meninice do Sérgio, passaram momentos complicados por causa das dificuldades que ele tinha em adaptar-se aos diferentes meios sociais fora da família, nomeadamente na escola.

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Desde muito cedo, a sua mãe, Maria Benedita Pinto Silva, começou a sofrer pelo facto de o Sérgio ir sendo objecto da incompreensão de alguns professores, alunos e funcionários nas escolas, de diagnósticos médicos díspares e contraditórios, de discriminações e marginalizações. Uns médicos disseram-lhe que o seu filho tinha mimo a mais, outros diagnosticaram-lhe uma deficiência motora, outros mandaram-no consultar o psiquiatra que, com a medicação, o reduzia a um vegetal. 
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Afinal, qual era o problema do Sérgio? Só aos 29 anos é que descobriram que ele sofre de um problema de adaptação social conhecido por síndrome de Asperger.

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Os primeiros problemas do Sérgio começaram na África do Sul, onde passou os primeiros anos de vida. Começaram, mas não acabaram. Em Mirandela os problemas continuaram.

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A corrida aos médicos começou também na África do Sul e continuou em Portugal. Primeiro, os médicos de família; depois, especialistas disto, especialistas daquilo: psicólogos, neurologistas, psiquiatras, tudo o que criasse alguma esperança de resolver o problema, ou os problemas, que se traduziam nalguma agressividade no relacionamento com os outros e numa clara inadaptação a nova situações, sobretudo nos meios escolares.
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O psicólogo recomendou aos pais que pedissem à escola que aceitasse o Sérgio como ele era. O neurologista diagnosticou-lhe um problema ao nível da motricidade fina. O psiquiatra resolveu o assunto com remédios que quase o imobilizavam, até que a mãe resolveu retirar-lhos porque ele ficava sem acção.
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O próprio Sérgio descreve a forma como encarava os seus problemas: “na escola os colegas não brincavam comigo, chamavam-me nomes, batiam-me”.
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Mas o que mais magoou o Sérgio e a sua mãe foi a acusação injusta e infundada de que havia feito um furto. Ele não aceitou a acusação e a mãe teve de ir à escola exigir respeito pelo Sérgio e explicar que ele não fora o responsável pelo furto. Mais tarde, as alegações do Sérgio confirmaram-se, mas a mãe ficou sempre com a dor de a escola não ter pedido desculpas ao seu filho pela injustiça que lhe fizeram.
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De início, nem todos os professores e auxiliares tratavam o Sérgio com a compreensão que o seu caso merecia. Mas depois, o próprio reconhece que, nos intervalos, as auxiliares o chamavam para junto de si e o protegiam da troça dos outros. Sente-se grato por isso.

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O Sérgio concluiu o Curso Tecnológico de Administração.


Mesmo assim, não obstante todos estes problemas, o Sérgio foi estudando e conseguiu concluir o Curso Tecnológico de Administração (CTA), com que terminou o ensino secundário. Fez um estágio profissional de 3 meses na Escola Secundária onde tinha estudado, em Mirandela. Aí, segundo palavras do próprio, a adaptação não foi difícil porque já conhecia o pessoal.
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Depois desse estágio fez um outro mais prolongado, de 9 meses, no Hospital de Mirandela, após o que conseguiu sucessivos contratos a termo certo na Câmara Municipal local. Neste momento está desempregado.
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O Sérgio, segundo o testemunho de uma ex-colega na Câmara Municipal, é muito competente nas tarefas da sua especialidade, o que aliás é uma característica dos adolescentes e jovens que transportam consigo este sindroma. Por vezes, criam mesmo a ideia nos outros de que são sobredotados, porque têm algumas capacidades acima da média.

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Em: http://www.bcd.pt/imprimir.php?id_noticia=7764
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publicado por Be Free às 09:55
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17 comentários:
De Anónimo a 24 de Abril de 2007 às 14:55
Olá!

Obrigada por esta notícia.

Tenho-me interessado, ultimamente, pela Hiperactividade e pela Síndrome de Asperger.

A CERCILEI vai fazer formações acerca destas perturbações: http://voluntariadong.blogspot.com/2007/04/formao-diferena-conhecer-para-intervir.html

Beijinhos,
Liliana


De Paulo sempre a 24 de Abril de 2007 às 19:04
Uma situação deveras emocionante.
Obrigado
Paulo


De Mário Relvas a 25 de Abril de 2007 às 22:09
Olá Alexandra,

cara amiga, bonito texto e uma história que na verdade acontece muito, infelizmente.

Cara Alexandra, diga-me como este texto está escrito em português do Brasil e se resume a Mirandela, cidade transmontana em portugal.

O link não abre.

Beijo e obrigado por este texto muito esclarecedor



De Odele Souza a 27 de Abril de 2007 às 00:57
Querida Alexandra,

Como sempre teus posts são de muita utilidade para tantas pessoas que talvez se não vissem aqui ficariam informações tão importantes. Vou te escrever um e-mail para poder te dizer mais coisas minha amiga. Fica com meu carinho.


De Isabel Filipe a 27 de Abril de 2007 às 12:16
... gostei de ler ...
e de ter ficado a conhecer ....

mas não é semelhante ao autismo???


beijinhos e bom fim de semana


De Ana a 2 de Outubro de 2007 às 20:35
Nao fazia ideia que tal problema existisse e e bom todos os dias aprender algo para no futuro nao cometer erros... Fiquei emocianada com o texto e acho que nao consigo imaginar o sofrimento quer do rapaz, quer dos pais dele...

O que mais desejo e que toda a gente fosse mais sensivel e que tentasse ouvir e perceber as pessoas... o mais falta neste pais "desenvolvido" e a informaçao e compreensao...


De Ricardo a 29 de Outubro de 2007 às 13:36
Minha filha de 7 anos, foi diagnosticada com a Sindrome de Asperger, eu e minha esposa estamos muito preocupados, pois aqui onde moramos ( São Vicente / SP - Brasil ) não estamos conseguindo encontrar profissionais capacitados em nos ajudar a conduzir esse problema. Não estamos encontrando escolas que podem oferecer um ensino diferenciado. Estamos meio que perdidos nesse problema que iremos enfrentar ao longo da vida de nossa linda filha. Gostariamos de toda ajuda que for possível para conseguimos enfrentar essa batalha, que ela enfrentará pela vida.

Grato, por toda ajuda que pudermos receber.

Ricardo e Fernanda


De fzx a 3 de Janeiro de 2008 às 19:01
A minha Filha de 10 anos é frequentemente agredida por um aluno da mesma turma com 13 anos.
Ao recorrer á directora de turma com o intuito de impedir que esta situação continuasse, fui informado que o aluno tem o sindroma de asperger, e que por isso já têm um extenso historial de comportamentos violentos com outras crianças, pedi á directora de turma que entrasse em contacto com o encarregado de educação do aluno e que dde alguma forma actuasse no sentido de resolver a situação.
depois desta 1ª abordagem passaram cerca de 2 semanas sem que a minha filha relatasse qualquer tipo de episódio com o aluno em questão, mas após este periodo as agressões retomaram;
Desloquei-me novamente á escola para tentar falar com a criança, mas assim que este se apercebeu que eu estava na escola encontrou forma de evitar o encontro.
Falei com a directora de turma uma vez mais pedindo-lhe que me facultasse um encontro com o encarregado de educação da criança no sentido de tentar resolver a situação directamente com os páis deste;
Os páis do aluno não se mostraram interessados em dialogar comigo, e numa 3ª deslocação ao estabelecimento acompanhei a minha filha numa participação por escrito do que se estava a passar ao concelho executivo da escola.
Em resposta os representates do estabelecimento de ensino desculpam o comportamento do eluno com a condição clinica da qual sofre, e não se mostram suficientemente eficazes na resolução do problema.
Como não sei mais o que fazer, eu pergunto...

Esta condição clinica é "desculpa" para todo e qualquer tipo de comportamento perpetuado por quem dela sofre?

É justo que as outras crianças que rodeiam as que sofrem deste sindroma estejam sujeitas a violencia, causada pela dificuldade de interacção social tipica desta condição?

Quando a instituição não age eficazmente, e os páis não colaboram, que mecanismos podem ser accionados para que a minha filha não seja mais agredida por este aluno?



De mileidi prado a 24 de Março de 2008 às 23:25

A FZX...nao concordo com o que voce disse,tenho um filho com asperger e o problema e o preconceito que as pessoas tem.Entao voce acha certo que uma
crianca especial seja retirada da escola porque tem problema de conviver com as outras?Voce acha que elas sao agressivas porque querem?voce tem nocao de quanto nos pais de criancas especiais sofremos por as pessoas serem preconceituosas?voce acha que entao deveriamos fecha-los em casa como se fossem bicho por causa de outras criancas e pessoa?voce acha que eles nao tem sentimento e sabem que sao tratados a maioria das vezes com desprezo?pois e eles sao sim especiais e merecem as mesmas oportunidades, respeito e atencoa como todas as outras pessoas.POIS NESSE MUNDO NINGUEM E MELHOR QUE NINGUEM. MILEIDI


De Luisab a 13 de Maio de 2008 às 01:09
Cara FZX se ler o meu blog talvez fique a saber mais sobre o que é ter um asperger vitima de 24 alunos durante anos a fio que deram origem a um esgotamento psíquico e ter de deixar de estudar por ter sido violentamente atacado quer verbal e fisicamente pelos outro colegas ditos "normais". O meu filho teve sempre comportamento excelente único na turma e nos vários anos de escola, dito por ele, pelos colegas mesmo a contragosto e pelos Prof. . Eu já seria suspeita dizer sobre seu comportamento. Nem todos os aspergers são iguais mas...veja antes se sua filha não o provoca se ela não ri dele se ela não o perturba, para ele agir assim. Segundo, digo eu que sei porque tenho já um contacto grande com vários aspergers de várias idades e estratos sociais, ele é mais uma criança como as que hoje se vêm na escola, se ele não fosse asperger teria insistido tanto na queixa? O que me recomenda a mim? Sou mãe de um adolescente asperger que sofreu práticas físicas e psicológicas que o impedem hoje de frequentar a escola e informo que os seus testes foram sempre de 99% a 100% invariavelmente sem favoritismo ou facilitísmo de qualquer seu Prof., pelo contrario ele fez todos os testes sem recorrer a qualquer estatuto de deficiente e quando eu pedi para prolongamento de tempo de teste devido a ficar demasiado ansioso e nem dormi nesses dias, foi recusado por ele ser demasiado inteligente e perfeccionista. Nem todos os adolescentes e crianças aspergers são iguais no entanto a constante que tenho apreciado cada dia mais é que os "normais" são cada dia mais protegidos visto que neste caso diariamente e em cada aula em cada minutos eles nem tinham aulas estavam sempre a massacrar o meu filho e os relatórios extensos de mais de 10 páginas que eu mandava à DT só valeram sempre repreensão aos alunos e chamarem a atenção dos pais dos mesmos. Então e agora? Eu devia mandar expulsar estes 24 alunos da turma em vez de ter retirado o meu filho ou não? Sobretudo que a maioria deles pela distracção que tinham nas aulas e negação de estudar pois dava trabalho tinham acumuladas várias negativas e os prof deram 3 para passarem. Quem está a ser beneficiado ou normais? Ou os portadores desta síndrome ? Informação é sinónimo de compreensão!
Peço desculpa mas precisava dizer isto, já calo há muito tempo ataques contra os aspergers.
Luisab


De Be Free a 13 de Maio de 2008 às 08:54
Olá Luísa, Maleidi Prado e “fzx”,

Obrigada pelos vossos desabafos muito pertinentes.

Este testemunho como muitos outros que estão neste blogue ou me foram enviados pelos autores respectivos que me pediram para colocar aqui, ou estão porque achei serem interessantes.

Pessoalmente acredito que cada caso é um caso e que não se pode generalizar as situações.

Acerca deste assunto poderão consultar outros textos pertinentes e interessantes:
http://violada_mas_nao_vencida.blogs.sapo.pt/search?q=asperger

Em especial sugiro que leiam o post: http://violada_mas_nao_vencida.blogs.sapo.pt/23098.html


De gofinho27 a 27 de Março de 2008 às 22:34
Boas noites Fx não concordo o que diz eu sou um jovem com 27 anos e nunca tive esses comportamentos


De Be Free a 7 de Abril de 2008 às 18:50
Olá Golfinho,

Obrigada pelo seu comentário,

Não poderei comentar concretamente acerca daquilo que escreveu porque o testemunho aqui expresso não é meu testemunho pessoal mas o de outras pessoas. Eu limitei-me a colocá-lo.

Na verdade já lidei com vários casos de pessoas com o Síndrome de Asperger e posso dizer que possuíam particularidades idênticas, mas nos comportamentos diferiam entre si.

Por causa da particularidade deste testemunho, em concreto, resolvi colocá-lo aqui por ser pouco comum.

De qualquer forma penso que não podemos generalizar os comportamentos das pessoas nem como elas são tratadas e aceites por aqueles que estão no dia-a-dia com elas, pois cada realidade é pessoal e única.

Se quiser pode ler neste mesmo blogue outros textos e testemunhos sobre este tema:

http://violada_mas_nao_vencida.blogs.sapo.pt/search?q=asperger

Bem-haja

Alexandra Caracol


De César a 7 de Julho de 2008 às 05:49
Tenho um filho aspie , que é simplesmente fantástico. Presentemente frequenta o 1º ciclo e tem sofrido na pele as mais variadas situação que vão desde o preconceito, discriminação até violência física. Após várias conversas com a respectiva Prof. . titular e verificando que a situação não se alterava, foi necessário eu ficar "mal na fotografia" para que a escola mudasse de atitude, mas foi sol de pouca dura. A minha luta será constante.
Está na hora dos pais se organizarem para combater e denunciarem o desleixo que se vive nas nossas escolas, e em que os nossos filhos são as primeiras vítimas


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